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Documentário que retrata início da organização política do Movimento LGBTI+ brasileiro tem pré-estreia em São Paulo nesta quinta-feira

O doc ‘Quando Ousamos Existir’ tem roteiro e direção de Cláudio Nascimento e Marco Caetano

17/02/2022 às 14h31
Por: Rafael Gomes
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Documentário que retrata início da organização política do Movimento LGBTI+ brasileiro tem pré-estreia em São Paulo nesta quinta-feira

Chamado de ‘Quando ousamos existir – Uma história do Movimento LGBTI+ brasileiro’”, o longa-metragem que traz a visão de ativistas, das décadas de 70 e 80, sobre as trajetórias históricas deste movimento, será exibido hoje para convidados no Teatro Alfredo Mesquita, na Cidade de São Paulo. Após a exibição, terá uma roda de conversas com os diretores do filme e ativistas da época. 

 

Com roteiro e direção de Cláudio Nascimento e Marcio Caetano, o documentário “Quando Ousamos Existir” aborda, através de entrevistas, as trajetórias históricas do Movimento Social LGBTI, desde sua emergência em plena ditadura hetero-militar até a participação nos debates da Constituinte, passando pelos anos iniciais da epidemia de Aids e das lutas contra a patologização da homossexualidade. Por meio das narrativas de ativistas, revivesse a intensa luta político-cultural pela liberação e afirmação homossexual no Brasil até as primeiras ações de promoção da cidadania. Em mais de 40 anos, o movimento homossexual tornou-se LGBTI, e suas transformações acompanharam e contribuíram para importantes mudanças na sociedade e na atuação do Estado brasileiro em defesa da democracia cidadã.

 

Gravado entre 2017 e 2019, com ativistas que atuaram nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, São Paulo, Sergipe e Ceará, nas décadas de 1970 e 80, a equipe desafiou a extensão territorial brasileira para reencontrar algumas das pessoas que fundaram o movimento LGBTI brasileiro. Entre idas e vindas pelas estradas desse imenso país, reencontrou-se algumas das memórias em defesa da democracia e cidadania LGBTI.

 

“Quando ousamos existir” mostra uma fotografia de ativistas brasileiros no cenário LGBTI+ do Brasil, num período histórico de mais de 40 anos. Entre os inúmeros entrevistados, todos ativistas como por exemplo João Nery, o primeiro homem trans a realizar a cirurgia de redesignação sexual no Brasil, em 1977, ativista pelos direitos LGBT, falecido em 2018; Regina Fachinni, ativista de direitos humanos, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu (UNICAMP); Marcely Malta, coordenadora da ONG Igualdade - RS, travesti militante do Movimento Trans e de Direitos Humanos de Porto Alegre até Paulo Fatal, que integrou o Grupo Triângulo Rosa do Rio de Janeiro e um dos primeiros ativistas a se posicionar pelo enfrentamento à epidemia de HIV nos anos de 1980. Ainda podemos citar João Silvério Trevisan, escritor e um dos ativistas fundadores do Grupo Somos de São Paulo, criado em 1978, juntamente com o escritor e professor da Universidade Federal da Bahia Edward MacRae e o professor da Universidade de Brown dos EUA James Green. A enfermeira e atual presidente da Associação da Parada de São Paulo Cláudia Regina, que foi participante em 1979 do Grupo Somos e Marisa Fernandes, que além do Somos fundou juntamente com outras lésbicas o Grupo de Ação Lésbica Feminista. Jovanna Cardoso, atual presidente do Fonatrans – Forum Nacional de Pessoas Trans Negras, que iniciou a organização do movimento de pessoas trans no fim dos anos 70 e Luiz Mott, professor da Universidade Federal da Bahia e fundador do Grupo Gay da Bahia, em 1980, entre tantos outros.

 

A produção é uma iniciativa universitária e ativista, sem fins lucrativos e a realização é do Centro de Memória João Antônio Mascarenhas, vinculado à Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal do Rio Grande, Universidade Federal do Espírito Santo e Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+ do Rio de Janeiro.

 

Pré-Estreia em São Paulo

 

Exibição do Documentário e roda de conversa com seus diretores e ativistas entrevistados

 

Data: 17/02 (quinta-feira) às 18h 

 

Local: Teatro Alfredo Mesquita (Avenida Santos Dumont, 1770 – Santana)

 

O evento de pré-estreia é uma realização do Centro João Antônio Mascarenhas, da Universidade Federal de Pelotas, da Universidade Federal do Rio Grande, da Universidade Federal do Espírito Santo, Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+ do Rio de Janeiro, Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, Coletivo de Feministas Lésbicas, Aliança Nacional LGBTI+, Coordenação LGBT da Cidade de São Paulo, Secretaria Municipal de Cultura e Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo.

 

Ficha Técnica

 

Direção geral, concepção e entrevistas: Cláudio Nascimento e Marcio Caetano

 

 Roteiro Cláudio Nascimento e Marcio Caetano 

 

Produção: Cláudio Nascimento e Marcio Caetano 

Pesquisa: Cláudio Nascimento, Fabio Rodrigues, Larissa Martins e Marcio Caetano 

 

Direção de Arte e Fotografia: Fabio Rodrigues 

 

Operação de câmera, Iluminação e Som direto: Fabio Rodrigues e Marcio Caetano 

 

Trilha Sonora "Memórias", Valéria Barcellos - Intérprete Juliano Barreto de Carvalho - Compositor

 

Ilustração e Animação: Fabio Rodrigues 

Edição e Finalização: Fabio Rodrigues 

Legenda: Fabio Rodrigues e José Pedro Minho 

Assistente de Edição: Agda Antunes 

Assistente de Pesquisa: Clara Brandão, Elisa Abreu, Felipe Sbardelotto, João Neto e Júlio John 

Assistente de Produção: Elisa Abreu, João Neto e Júlio John 

Mixagem de Som: Fiona Maria

Divulgação: Julia Fripp e José Pedro Minho 

Designer: Thales de Aquino

 

Quem são os diretores?

 

Cláudio Nascimento: Gay, negro e nordestino, atua há 32 anos na luta pelos direitos humanos e cidadania LGBTI. Atualmente, preside o Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+, diretor de Políticas Públicas da Aliança Nacional LGBTI+ e é co-coordenador do Centro de Memórias João Antônio Mascarenhas.

 

Marcio Caetano: Gay, Professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ativista dos direitos humanos e civis da população LGBTI. Atualmente atua também como co-coordenador do Centro de Memórias João Antônio Mascarenhas.

 

O Centro de Memória João Antônio Mascarenhas

O Centro de Memória João Antônio Mascarenhas, criado em 2018, originou-se em decorrência da organização de iniciativa para celebrar os 40 anos dos Movimentos Sociais LGBTI brasileiro.

 

A memória é algo que não é significada apenas com a imaginação — no sentido fictício, fantasioso, irreal — mas com a sua capacidade de ser remetida ou “fazer-se remeter” ao passado. A memória pode ser entendida como uma capacidade de (re)significação de coisas e de si mesmo/a. Ela é o espaço-tempo segundo o qual figurasse os limites de nossa existência. 

 

Ao ser criado o Centro de Memória do Ativismo LGBTI homenageasse João Antônio de Sousa Mascarenhas. Gaúcho de Pelotas, João nasceu em 24 de outubro de 1927 e foi um dos mais importantes ativistas do movimento, até então, homossexual entre as décadas de 1970 e 80. Formado em Direito, ele radicou-se na cidade do Rio de Janeiro, onde viveu a maior parte de sua vida, falecendo em 1998. Além de ser um dos fundadores do jornal O Lampião da Esquina (1978), João Antônio Mascarenhas colaborou com o antropólogo na despatologização da homossexualidade na decisão do Conselho Federal de Medicina (CFM) em 1985. Como advogado e ativista, participou do debate da elaboração da Constituição Federal de 1988, sendo o primeiro homossexual brasileiro a ser convidado para falar à Assembleia Nacional Constituinte. O convite foi motivado pela possível inclusão do termo “orientação sexual” no artigo 3º, Inciso IV, que estabelecia “o bem de todos, sem preconceitos contra quaisquer formas de discriminação”. No dia 28 de janeiro de 1988, no entanto, o termo acabou rejeitado pela maioria dos representantes da Constituinte. Dos 559 políticos que exerciam mandato no Congresso Nacional do Brasil, 429 (ou seja, mais de três quartos) se opuseram à proposta de inclusão. Mas, a trajetória de João Mascarenhas foi decisória para aquilo que se constituiu o Movimento LGBTI brasileiro.

 

O Centro de Memória João Antônio Mascarenhas tem como objetivo se tornar uma referência de identificação, sistematização, guarda, análise e difusão da história oral do ativismo LGBTI brasileiro.

 

Ativistas que participaram do documentário

 

Jovanna Cardoso: Fundadora do Movimento Trans no Brasil, atuou na organização "Damas da noite" no Espírito Santo.

 

Cristina Câmara: Doutora em Ciências Humanas e autora do livro "Cidadania e Orientação Sexual: a trajetória do grupo Triângulo Rosa".

 

Marisa Fernandes: Ativista do Grupo SOMOS de Afirmação Homossexual, cofundadora da Facção Lésbico Feminista (LF) que, após racha interno no SOMOS, passou a denominar-se Grupo de Ação Lésbico Feminista (GALF).

 

Rinaldo Almeida: Um dos fundadores da primeira organização homossexual de Pernambuco, GATHO - Grupo de Atuação Homossexual, em 1980, faleceu em 2020.

 

Luciano Bezerra: Um dos símbolos do movimento LGBT no nordeste, o ativista era conhecido como "abelha rainha" porque liderava o Grupo Mel (Movimento do Espírito Lilás), faleceu em 2017.

 

Cláudia Regina: Presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT e ativista do Grupo Somos de Afirmação homossexual.

 

Richard Parker: Um dos principais pesquisadores sobre a epidemia de AIDS, é Diretor Presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar da Aids - ABIA.

 

João Nery: Escritor, foi o primeiro homem trans a realizar a cirurgia de redesignação sexual no Brasil, em 1977. Ativista pelos direitos LGBT, faleceu em 2018.

 

Edward Mcrae: Ativista do Grupo Somos de Afirmação homossexual na décadas de 

1970 e 80 e autor o livro "A Construção da Igualdade".

 

Alice Oliveira: Lésbica feminista e cofundadora SOMOS, atualmente milita no estado do Ceará.

 

Caê Rodrigues: Cofundador do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT e ativista do 

Somos-Rio e Auê no final da década de 1970 e anos 80.

 

João Trevisan: Autor de vários livros, foi cofundador do Grupo Somos de Afirmação Homossexual e membro do Jornal Lampião da Esquina.

 

Wagner de Almeida: Diretor de cinema da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS- ABIA, é mentor das primeiras atividades culturais de enfrentamento à epidemia de HIV no Brasil.

 

Regina Fachinni: Ativista de direitos humanos, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero Pagu (UNICAMP) e publicou diversos artigos e livros, dentre eles, "Sopa de Letrinhas".

 

Rita Colaco: Cofundadora do Grupo de Atuação e Afirmação Gay (GAAG), em 1979, no Rio de Janeiro, atuou no Grupo Triângulo Rosa na décdada de 1980. É coordenadora do Museu Pajubá

 

Marcely Malta: Coordenadora da ONG Igualdade - RS, travesti militante do Movimento Trans e de Direitos Humanos de Porto Alegre.

 

Yone Lindgren: Uma das principais lideranças do movimento de lésbicas do Brasil, foi cofundadora do Grupo Somos (Rio de Janeiro).

 

Luiz Mott: Fundador do Grupo Gay da Bahia, liderou a campanha de despatologização da homossexualidade e é decano do movimento homossexual brasileiro.

 

James Green: Autor de diversos livros, atuou como liderança do Grupo Somos de Afirmação Homossexual no final da década de 1970 e início da 80.

 

Peter Fry: Autor de diversos livros, foi membro do Jornal Lampião da Esquina e do Grupo Somos de Afirmação Homossexual.

 

Paulo Fatal: Autor de diversos livros. Integrou o Grupo Triângulo Rosa, ocupando os cargos de Presidente e Secretário. Foi um dos primeiros ativistas a se posicionar pelo enfrentamento à epidemia de HIV nos anos de 1980.

 

John Mccarthy: Cofundador do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT e ativista do Somos-Rio no final da década de 1970 e anos 80, faleceu em 2019.

 

Veriano Terto: Ativista do Grupo Somos (Rio de Janeiro), atualmente é diretor vice-presidente da ABIA.

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Sobre O jornalista Rafael Gomes possui 15 anos de experiência com a mídia. Diplomado, o profissional já atuou em veículos impressos e on-line. No currículo também carrega a expertise como assessor de imprensa de órgãos governamentais, empresas privadas e grandes marcas. Sua coluna é publicada diariamente do “ Notícias do Rio” e “ Sopa Cultural”. Sugestão de Pauta: [email protected]
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