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Aurora boreal: o que é esse fenômeno que ilumina o céu à noite

Brasileiros contam experiências ao observar o evento que tem origem na interação do plasma solar com gases da atmosfera

09/09/2021 às 02h05 Atualizada em 09/09/2021 às 19h37
Por: Redação Fonte: R7 - João Melo, Do R7*
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A aurora boreal é definida por muitas pessoas como um show de cores e luzes no céu. Tanta beleza, porém, não é fácil de ser observada. Além de ocorrer nas regiões polares, ou seja, acessível para poucas pessoas, é necessário estar no local certo e no momento exato para presenciar o fenômeno.

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O melhores meses para acompanhar o fenômeno é entre setembro e abril, quando as áreas no extremo norte do planeta têm maior tempo de escuridão e não enfrentam o chamado "Sol da meia-noite", período em que há luz natural praticamente o tempo todo. Noruega, Islândia, Finlândia, Suécia e Canadá são alguns dos países que atraem turistas que buscam essa experiência.

A aurora acontece porque os ventos vindos do Sol fazem com que o plasma solar, carregado de partículas de elétrons, se choque com os campos magnéticos das Terra que estão presentes nas regiões polares.

Após o contato com o campo magnético, o plasma passa a interagir com gases presentes na atmosfera terrestre, criando energia na forma de fótons, que são os responsáveis por emitir as luzes que podem ser vistas no céu durante o fenômeno.

As cores são geradas dependendo do gás com o qual o plasma solar entra em contato na atmosfera. A interação com átomos de hidrogênio e oxigênio gera a cor vermelha, enquanto o choque somente com átomos de oxigênio gera dá origem à cor verde. Essas são as duas cores mais importantes da aurora boreal.

Assim como a aurora boreal, acontece também a aurora austral. As condições para que esses fenômenos ocorram são exatamente iguais. A única diferença diz respeito ao local onde ocorrem. Como no polo sul não há tanta estrutura para receber pesquisadores e turistas, as atenções normalmente voltam-se para o polo norte.

Caçadores de auroras
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Presenciar uma aurora boreal é um fenômeno inesquecível pela beleza e pelo privilégio de estar em locais tão inospitos. Algumas pessoas têm como hobbie e também como profissão ir atrás dos locais onde o céu ficará iluminado. 

O brasileiro Marco Brotto já realizou 82 expedições para ver o fenômeno se intitula "caçador de auroras boreais" e lembra em detalhes como foi sua primeira experiência, após algumas tentativas, durante uma viagem para a Noruega em 2011.

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“Fiquei com medo. Eu não sabia absolutamente nada sobre ela. Comecei a tirar fotos e ela começou a aparecer meio esverdeada no cantinho da câmera, mas eu olhava para o céu e não via nada. Aquilo foi aumentando e quando olhei para trás estava aquele monstro verde atrás de mim e fiquei assustado.”

Filippo Dias mora na Finlândia há três anos, onde está fazendo intercâmbio. Ele conta que escolheu o país mas não conseguiu escolher a cidade e, por coincidência, foi direcionado para Rovaniemi, conhecida por ser a cidade oficial do papai noel e também famosa pela visualização da aurora boreal.

O jovem de 19 anos revela que, como chegou ao país em agosto, não conseguiu visualizar o evento de luzes imediatamente. Cerca de um mês depois, ele teve a experiência de ver o fenômeno pela primeira vez.

“Em setembro eu vi uma aurora gigantesca, que durou muitas horas. Foi uma experiência muito chocante porque tinha muita emoção envolvida. Eu até lembro que era difícil de saber a emoção que eu estava tendo: se eu queria chorar ou dar risada, porque parecia uma ficção”, ressalta.

Fotografia e dificuldades para observar

Filippo e Brotto tornaram-se especialistas em fotografar a aurora boreal. O intercambista, natural de Sorocaba, interior de São Paulo, enfatiza que nenhuma noite é igual à outra, e que essa vontade de capturar os mínimos detalhes que diferenciam as experiências é o que alimenta esse gosto pelo fenômeno de cores no céu.

“Todas as noites as auroras são diferentes, com cores, formatos e durações distintas. E essa aventura, essa vontade de ter uma foto de cada aurora possível me motivou a começar e continuar fotografando esse evento”, afirma.

Ele diz que nesse período de três anos já teve contato com auroras que duraram tanto algumas horas, como apenas alguns minutos no céu, e que o evento depende muito da velocidade com que o plasma solar se choca com a atmosfera terrestre e se o campo magnético está receptivo, ou não.

O empresário natural de Curitiba destaca que as condições climáticas, como temperatura e quantidade de nuvens, também determinam uma boa visualização. “Eu já cansei de sair do hotel com uma direção para fotografar e, no meio do caminho, mudar a rota de acordo com os gráficos de clima e tempo.”

A paixão de Marco pelo fenômeno de luzes e pela fotografia se materializou na forma de livro. “Aurora Boreal: amor em forma de luzes e cores” foi lançado neste ano e tem registros dos 10 anos de experiência do fotógrafo na caça aos melhores locais para ver o evento.

Viagens a diferentes países

A paixão pela aurora boreal fez com que Marco Brotto completasse, em 2016, a volta completa em todos os países do círculo polar ártico onde é possível visualizar o fenômeno. 

"Essa era a minha primeira meta a ser alcançada como caçador da auroa. Agora, tenho como principal objetivo atingir a meta de 100 expedições consguindo ver, em todas elas, esse show de luzes e cores", afirma.

Filippo conta que na Finlândia a maioria dos moradores locais não dão tanta atenção à aurora, uma vez que eles sabem que, em algum momento do ano ela vai aparecer e eles poderão apreciar o evento.

Em busca de diferentes experiências, o jovem já viajou para Suécia e Noruega com colegas para poder ver o fenômeno em outros locais. No inverno deste ano, ele revela que pretende ir até a Islândia para fotografar e alimentar ainda mais essa relação com a aurora boreal. 

"A aurora boreal, para mim, é como se fosse um parente muito querido, que eu sempre gosto de ir encontrar e que sempre me dá boas lembranças e recordações. É uma coisa muito querida", enfatiza Felippo Dias.

"É o amor em forma de cores. Demoramos para entender que tem muita paixão envolvida. Nós zeramos a vida cada vez que observamos a aurora boreal", completa Marco Brotto.

 *Estagiário do R7 sob supervisão de Pablo Marques

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